Pragas agrícolas: Veja as principais pragas, como fazer o seu controle e dicas de métodos de manejo integrado de pragas (MIP).

Um dos grandes desafios da agricultura é o controle de pragas, isso porque elas podem estar presentes em todas as etapas da lavoura.

As pragas podem causar grandes prejuízos às lavouras, variando de 9,5 a 40% de perdas caso o controle não for efetuado.

Não controlar as pragas agrícolas como a Spodoptera no milho, geraria uma economia para produtor em torno de R$3,42 bilhões, entretanto, ele teria uma perda de produtividade de 40%.

Assim, separamos para você algumas das principais pragas encontradas nas lavouras e os métodos de controle disponíveis no mercado.

Percevejo barriga-verde (Dichelops spp.)

As principais espécies são: Dichelops melacanthus e D. furcatus. É uma das pragas que mais preocupa em lavouras de soja.

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Fonte: Agro Bayer

Porém, pode causar danos nas lavouras de milho, com custo de controle variando entre R$40 e 160,00 por hectare.

Ele pode atacar as plantas de V1 (emissão do primeiro par de folhas) até V4 (quarto par de folhas).

Dentre os métodos de controle do percevejo, o mais utilizado é o tratamento de sementes e a pulverização foliar com inseticidas sistêmicos.

Estão registrados inseticidas a base de tiametoxam,  bifentrina + cipermetrina,  bifentrina + imidacloprido,  acetamiprido + alfa-cipermetrina,   imidacloprido,  clotianidina,  acetamiprido + fipronil e bifentrina + carbosulfano.

Leia também: Este é o motivo que você não pode deixar de fazer o MIP – Manejo Integrado de Pragas

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Fonte: Elevagro.

Helicoverpa spp.

Entre as lagartas temos a Helicoverpa zea e H. armigera.

A Helicoverpa zea é conhecida por lagarta-da-espiga e ataca diversas culturas.

No milho, ela ovoposita nos estigmas, causando a redução da fertilização e do peso dos grãos. 

A principal dificuldade no controle é que este deve ser feito em direção às espigas, por isso não há inseticidas registrados para a cultura do milho.

Já, na cultura da soja temos os inseticidas à base de clorfluazuron e metomil.

A Helicoverpa armigera é uma das principais pragas polífagas das culturas do mundo. O primeiro relato dessa praga no Brasil foi na safra 2012/2013.

Atacam a parte aérea das plantas, como a flor, folha, gemas, fruto/vagem, estruturas reprodutivas e pontos de crescimento.

Entre os métodos de controle dessas pragas estão o manejo integrado de pragas, vazio sanitário, cultivares geneticamente modificadas expressando a toxina Bt, manejo dos inimigos naturais, inseticidas biológicos e químicos.

Entre os produtos registrados para controle estão aqueles a base de Bacillus thuringiensis.

Reforçando que ao utilizar inseticidas, pratique a rotação de mecanismos de ação, pois para H. armigera já há relatos de resistência aos inseticidas piretróides.

Leia também: O que é Manejo Integrado de Pragas (MIP) e como você pode fazer na sua propriedade

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Fonte: Simone Martins Mendes.

Mosca-branca (Bemisia tabaci)

A mosca-branca é uma praga cosmopolita, polífaga, que pode produzir até 15 gerações no ano.

Fica localizada na face inferior das folhas, onde oviposita em média, de 150 a 300 ovos.

Após se alimentarem nas folhas é comum vermos uma substância açucarada e pegajosa, chamada de “honeydew”.

Os danos diretos na soja ocorrem devido a sucção da seiva. Já, os danos indiretos ocorrem devido a transmissão de vírus.

Entre os produtos para o controle de mosca-branca em soja estão: acefato, buprofezin,  sulfoxaflor,  lambda-cialotrina + tiametoxam,  acetamiprido + alfa-cipermetrina, acetamiprido + piriproxifem e acetamiprido.

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Fonte: Defesa Vegetal 

Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda)

Conhecida por lagarta-do-cartucho do milho, é uma praga polífaga e que pode causar prejuízos de até 500 milhões de dólares por ano.

No milho, alimentam-se de folhas novas, mas também podem atacar as espigas e a base/colo das plantas.

Você consegue identificar essa praga no campo pelas folhas raspadas no cartucho.

Em soja, podem atacar a base/colo das plantas recém emergidas e suas estruturas reprodutivas.

Como a eficácia de controle com proteínas a base de Bt é baixa, é necessário o uso de inseticidas.

E um cuidado ainda maior deve ser tomado devido ao inseto ter apresentado resistência ao metomil, reforçando a importância da rotação dos mecanismos de ação.

Assim, o ideal é realizar o MIP, por meio do uso de: rotação de culturas, variedades resistentes, controle biológico e químico.

Fonte: PROMIP

Cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) 

É conhecida por cigarrinha-do-milho, está entre principais pragas do milho, devido a capacidade de transmitir doenças, como o enfezamento pálido e o vermelho.

Para o controle temos o tratamento de sementes com inseticidas sistêmicos, e a pulverização foliar com inseticidas com ação de choque e com efeito residual.

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Fonte: Agronegócio em Foco.

Percevejo-marrom (Euschistus heros)

O percevejo-marrom possui ciclo biológico de aproximadamente 29 dias. 

O principal dano em soja é relacionado aos tecidos da semente ou grão, que ficam chocos e enrugados.

Ressalta-se a importância da rotação de mecanismos de ação, pois já há relatados de insetos resistentes a produtos organofosforados e ciclodienos.

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Fonte: Mais Soja

Medidas de controle dentro do Manejo Integrado de Pragas agrícolas

Como vimos, temos diversas formas de controlar as pragas agrícolas, e o MIP torna-se essencial neste processo.

Com o MIP, é feito o monitoramento das lavouras, para que a entrada com o inseticida seja feita apenas se for necessário, ou seja, se a população de pragas atingir o limite de dano econômico.

Rotação de culturas

A rotação de culturas é considerada um controle cultural e tem como objetivo reduzir a população da praga no campo.

A rotação de culturas é uma das melhores ferramentas que temos para reduzir a ocorrências de pragas, doenças e plantas daninhas.

Isso porque, ao alterarmos a cultura, nós retiramos do campo a fonte de alimento daquele inseto-praga.

Além disso, estaremos realizando outras práticas culturais e outros inseticidas, o que auxilia no combate ao inseto.

Feromônios para atração e controle de pragas agrícolas

Os feromônios também podem ser utilizados para atrair e controlar as pragas. São substâncias naturais utilizadas pelos insetos para transmitir avisos, como a reprodução.

No campo, são utilizadas armadilhas com feromônio para atrair e capturar os insetos. 

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Fonte: Agroblog.

Controle químico

É uma opção eficaz e rápida, visando o controle a curto prazo. O uso de inseticidas deve ser feito juntamente com o MIP, rotacionando os mecanismos de ação, para reduzir a pressão de seleção de insetos resistentes.

Assim, diante do monitoramento das pragas nas lavouras, a tomada de decisão do momento de entrar com o inseticida é feito quando a praga atinge os níveis populacionais críticos ou o dano.

Controle biológico

O controle biológico de pragas é feito com organismos vivos, baseado nas relações de predação e parasitismo, por exemplo.

Entre os exemplos de controle biológico podemos citar o uso de Trichogramma pretiosum e Beauveria bassiana.

O Trichogramma pretiosum é uma vespa utilizada no controle de ovos de Spodoptera frugiperda em milho e Chrysodeixis includens em soja. 

A Beauveria bassiana é um inseticida microbiológico, com fungos entomopatogênicos, que colonizam o inseto, levando à morte.

Vamos lembrar que com tantas culturas no campo, algo que não devemos esquecer é o manejo de pragas durante a entressafra.

Lembre-se que plantas daninhas e voluntárias, servem de fonte de inóculo e como alimento alternativo para as pragas.

Por isso, o manejo durante a entressafra é essencial, seja com controle químico ou com o plantio de gramíneas e adubo verde.

Quando não realizamos esse manejo da entressafra, estamos permitindo com que a praga se reproduza, o que faz com que tenha altas densidade no início do cultivo.

Conclusão

Neste texto vimos algumas das pragas mais frequentes e importantes nas lavouras de milho e soja.

Você também viu dicas de como controlar as pragas e os métodos de controle disponíveis no mercado.

Agora que você já tem todas essas dicas, que tal aplicá-las na sua lavoura?

 

Gostou do texto? Tem mais dicas sobre controle de pragas agrícolas? Adoraria ver o seu comentário abaixo?

 

Bruno Paniago

Graduação em Agronomia pela Universidade Anhanguera-Uniderp (2009), especialização em Produção e Processamento de cana-de-açúcar pela Universidade Anhanguera-Uniderp (2010), mestrado em Biotecnologia: aplicada a agropecuária, pela Universidade Católica Dom Bosco - UCDB (2013). Experiência em Agronomia / Processamento de cana-de-açúcar / Genética Vegetal (Brachiaria sp.) / Biologia Molecular; Doutorado em Biotecnologia Vegetal, pela Universidade Federal de Lavras - UFLA, MG. Formação Pedagógica em Ciências Biológicas pela FIAR (2019). Atualmente é Consultor na Agrointeli atuando como Customer Success (CS) oferecendo aos produtores rurais novas experiências com a agricultura digital.
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Ademir
Ademir
3 meses atrás

Opa boa noite
Acho muito interessante
Só q eu trabalho com maçã
Acho q não é viavel para mim
Agradeço a vcs pelo trabalho
É d gente assim q precisamos
Valeu abraços

Resumo Técnico fornecido por Investing.com Brasil.

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