manejo integrado de pragas e doenças: 3 razões para você fazer MIP

Você sabia que mudar a forma de combater as pragas e doenças em sua lavoura pode ser a solução que você está buscando para aumentar o seu lucro? Essa é uma das principais vantagens do Manejo Integrado de Pragas e doenças, o MIP.

Lidar com as pragas no campo é o grande desafio de todo produtor rural. Afinal, o gasto com produtos químicos como inseticidas e fungicidas são os maiores responsáveis por elevar o custo de produção.

E se eu te dissesse que, na maioria dos casos, esses gastos são desnecessários e feitos de forma ineficiente?

Ao entender melhor o MIP, você aprenderá como proteger sua lavoura com eficiência, agindo na hora certa e adotando outros métodos de controle mais econômicos e que ainda podem agregar valor ao seu produto. Confira!

O que é o Manejo Integrado de Pragas e doenças – MIP

O manejo integrado de pragas é uma metodologia de controle que tem como base o a densidade populacional das pragas na lavoura. A partir disso, é definido então o melhor momento para agir.

Esse fundamento é divido entre três fases: nível de equilíbrio (NE), nível de controle (NC) e nível de dano econômico (ND).

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(Fonte: ABCbio)

Ao invés de agir imediatamente ao encontrar uma praga, o MIP direciona a ação de acordo com os dados obtidos pelo monitoramento.

O nível de equilíbrio demonstra que as pragas que estão presentes no campo não causam nenhum tipo de problema para a cultura ou para o produtor. Ou seja, não é necessário fazer aplicações de agroquímicos nem outros tipos de controle.

Já ao atingir o nível de controle, será preciso escolher uma ação entre as indicadas para o MIP para reduzir a densidade populacional e recuperar o equilíbrio, evitando atingir o nível de dano econômico.

Como o próprio nome já diz, esse último nível mostra ao produtor que a praga presente na lavoura já está causando prejuízos. Sendo assim, medidas mais urgentes deverão ser adotadas.

O monitoramento é a chave para o sucesso do MIP

Como vemos, adotar o MIP pode reduzir – e muito – as aplicações de agroquímicos na lavoura, reduzindo significativamente os custos de produção e manejo.

No entanto, vale ressaltar que para que essa estratégia seja realmente eficaz, o monitoramento deve ser constante e feito de acordo com o tipo de cultura, tamanho da propriedade e praga recorrente.

Seguir as recomendações de amostragem à risca é fundamental. Dessa forma, você poderá ter certeza de que as amostragens estão revelando o que realmente está acontecendo no campo.

O monitoramento da densidade populacional também ajudará e facilitará a gestão agrícola. Afinal, você poderá visualizar a situação de forma antecipada e escolher a melhor decisão para cada situação.

A frequência do monitoramento dependerá da sua cultura e da fase de desenvolvimento em que ela está. Como regra, a intervenção precisa ser feita somente quando determinada praga atingir o seu nível de controle (NC).

Mas afinal, como saber se uma praga atingiu o nível de controle?

Cada praga apresenta potenciais de danos diferentes. A helicoverpa armigera, por exemplo, pode alcançar o nível de controle e de dano econômico muito mais rapidamente do que a lagarta falsa-medideira na soja.

Sendo assim, o nível de controle também varia de acordo com o tipo de praga e sua agressividade à lavoura. Confira na tabela a seguir um exemplo de monitoramento do MIP na cultura da soja:

ficha de monitoramento MIP

(Ficha de Monitoramento dos inimigos naturais na cultura da Soja. Fonte: Embrapa)

Você também pode adotar o manejo integrado de pragas e doenças do cafeeiro, do feijoeiro, ou de qualquer outra cultura.

Para isso, basta pesquisar ou consultar com um engenheiro agrônomo as orientações de amostragem, monitoramento e níveis de equilíbrio, controle e dano econômico para sua cultura específica. Os dados mudam mas os fundamentos e as vantagens permanecem.

Principais técnicas de controle utilizadas no MIP

Outro grande diferencial do manejo integrado de pragas e doenças é que, mesmo ao atingir o nível de controle, o controle químico não é a primeira e única opção.

Ao reestabelecer o equilíbrio biológico de sua propriedade, você poderá deixar o uso de produtos químicos no final de sua lista de soluções. Dessa forma, economizando nas aplicações e agregando valor ao seu produto.

Confira a seguir as principais técnicas de controle que podem ser usadas no MIP:

Controle cultural

O controle cultural é um tipo de ação preventiva para proteger suas lavouras ao longo do tempo, mantendo ao máximo o equilíbrio entre pragas e predadores naturais. Esse método consiste em práticas como:

  • Plantio em época correta;
  • Garantir uma boa nutrição para o solo e para as plantas;
  • Destruir restos culturais;
  • Adotar o sistema de rotação de cultura na área.

Essas e outras práticas ajudarão não só a manter a área livre de pragas e doenças remanescentes, mas também a garantir que as plantas estarão fortes, nutridas e naturalmente mais resistentes aos ataques.

Controle biológico

O controle biológico visa proteger o equilíbrio entre as populações de pragas e de predadores naturais, para que seja possível manter os invasores sempre abaixo do nível de controle.

Além de soltar predadores e parasitoides na área, o controle biológico no manejo integrado de pragas e doenças também pode incluir o uso de inseticidas que contenham o Bt ou o baculovírus em suas fórmulas.

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(Fonte: Secretaria da Agricultura)

Controle por variedade

Outra forma de controlar pragas no MIP e economizar nas pulverizações é através do controle por variedade, ou controle varietal.

Esse tipo de controle consiste no uso de variedades modificadas geneticamente, conhecidos também como transgênicos. A tecnologia Bt, por exemplo, tem propriedade inseticida, o que faz com que o controle das pragas seja mais fácil e eficiente em culturas como a soja, cana, milho e algodão.

Controle comportamental

Assim como o controle biológico, o controle comportamental também usa recursos naturais para capturar as pragas invasoras, reduzindo a necessidade de aplicar agroquímicos.

Esse tipo de controle utiliza estratégias de redução populacional, como:

  • Armadilha luminosa;
  • Plantas repelentes;
  • Armadilhas com feromônio;
  • Armadilhas adesivas;
  • Semioquímicos.

Controle químico

O famoso e comum controle químico também pode ser utilizado dentro do manejo integrado de pragas e doenças. No entanto, é imprescindível que a escolha do produto e a forma de aplicação sejam feitos com base nos princípios do MIP.

Sendo assim, o controle químico é feito com produtos que sejam seletivos. Ou seja, causem danos apenas às pragas, sem atingir predadores e polinizadores.

Além disso, a rotação de ingredientes ativos e do modo de ação é fundamental para que você tenha sucesso no MIP a longo prazo.

Usar sempre o mesmo inseticida pode jogar todo o seu investimento por água a baixo, causando grandes prejuízos à lavoura devido a seleção de insetos resistentes.

A importância do MIP para o produtor e para a lavoura

Agora que você já entendeu como o manejo integrado de pragas pode transformar a gestão, o manejo e o seu custo de produção, confira porque você não pode deixar de fazer o MIP em sua lavoura!

Evita a resistência das pragas, melhorando a eficiência do controle

Se você usa sempre o mesmo produto químico para pulverizar sua lavoura, saiba que você pode estar criando uma super população de pragas resistentes que podem destruir suas safras.

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(Fonte: Bernardi et al.,2016)

Por isso, seguir o MIP fazendo uso de outros métodos de controle e também realizando a rotação de ingrediente ativo e modo de ação no controle químico é a melhor forma de garantir que sua pulverização realmente funcionará.

Facilita a tomada de decisões no momento certo

Ao ter uma visão geral da situação das pragas existentes em sua propriedade, a tomada de decisões assertivas ficará muito mais fácil e a resposta será sempre ágil.

Ou seja, você não sofrerá prejuízos por agir tarde demais e nem gastará tempo e dinheiro atoa por ter agido cedo demais!

Preserva os inimigos naturais na área

Os métodos adotados no manejo integrado de pragas e doenças visam sempre preservar a presença dos inimigos naturais na área.

Com isso, manter o nível de equilíbrio em sua lavoura será muito mais fácil, reduzindo a necessidade de adotar medidas de controle e as chances de sofrer danos econômicos.

Reduz os gastos e aumenta a margem de lucro para o produtor

Com base em tudo o que pontuamos até aqui, fica fácil entender como o MIP pode ajudar a reduzir os gastos e o custo de produção e aumentar significativamente a margem de lucro para o produtor.

Como exemplo prático, podemos citar o caso de um produtor de soja no Paraná que economizou R$ 72 mil ao adotar o MIP em sua lavoura, representando uma queda de 8% no custo total de produção.

O fator principal da redução dos custos está ligado a diminuição das pulverizações. E acredite, os benefícios dessa redução não se resumem apenas aos gastos, mas também podem se estender para as etapas pós-porteira.

Isso, porque, os consumidores estão cada vez mais informados e atentos a questões relacionadas a preservação do meio ambiente e a sustentabilidade por trás daquilo que chega às suas mesas e geladeiras.

Ou seja, você como produtor poderá não só economizar na produção, como também agregar valor ao seu produto e conquistar novas oportunidades oferecendo um diferencial dentro do mercado altamente competitivo do agro.

Ainda resta alguma dúvida em relação as vantagens do MIP ou sobre como implantar esse tipo de manejo em sua lavoura? Deixe o seu comentário abaixo!

Aqui você viu mais sobre o uso de software no Manejo Integrado de Pragas e relembrou alguns conceitos. Restou alguma dúvida? Quer saber mais sobre o MIP? Tem mais alguma informação sobre o assunto? Comente abaixo!

 

Aline Sandim

Doutorado em Agronomia (Pós-Graduação em Agricultura, Relações água/solo/planta), UNESP - Faculdade de Ciências Agronômicas, Botucatu - SP, conclusão em 2016. Mestrado em Agronomia (Pós-Graduação em Agricultura, Relações água/solo/planta), UNESP - Faculdade de Ciências Agronômicas, Botucatu - SP, conclusão em 2012. Graduação em Agronomia, Universidade Católica Dom Bosco, UCDB, conclusão em 2009.

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