Veja agora como evitar dor de cabeça com cigarrinha do milho.

O enfezamento pálido é causado por um espiroplasma (Spiroplasma kunkelii) e o vermelho por um fitoplasma (Maize bushy stunt phytoplasma – MBSP), ambas as doenças vem crescendo a importância no Brasil por causar danos intensos na cultura do milho.

Mas, você deve estar se perguntando: o que isso tem a ver com a cigarrinha do milho que é o tema central do nosso artigo?

Se você ainda não sabe, sua lavoura pode estar em sério risco. Mas, provavelmente você já tem o conhecimento que essas duas doenças são transmitidas pela cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis).

Veja então algumas dicas práticas de como não ser prejudicado pela cigarrinha e pelas doenças que transmite:

Como reconhecer que sua lavoura de milho tem danos causados pela cigarrinha do milho

A cigarrinha do milho pode causar danos de algumas maneiras. Primeiro, elas podem se alimentam diretamente da planta. Populações intensas podem fazer com que as folhas sequem.

Adultos e ninfas produzem substância pegajosa enquanto se alimentam, o que entra nas folhas de milho. A fumagina preta cresce freqüentemente nessa substância, reduzindo a capacidade fotossintética da planta.

Além disso, como já comentados, a praga é transmissora de doenças, as quais falaremos mais especificamente ainda neste tópico.

Mas o importante aqui é entender que quanto antes você detectar os sinais de cigarrinha-do-milho na sua lavoura melhor será seu controle e menores seus prejuízos. Portanto, preste atenção aos sintomas:

  • Monitore seus talhões e observe a presença do inseto;
  • Internódios curtos;
  • Planta pequena e improdutiva;
  • Espigas pequenas;
  • Falhas na granação;
  • Planta atacada seca precocemente;
  • Grãos chochos;
  • Proliferação de espigas;
  • Brotamento nas axilas das folhas;
  • Emissão de perfilhos na base das plantas;
  • Má formação das palhas das espigas;
  • Proliferação de radículas;
  • Colonização de outros patógenos causado acamamentos.

cigarrinha-do-milho

Fonte: Embrapa

Sintomas específicos dos enfezamentos transmitidos pela cigarrinha do milho

É importante lembrar que os enfezamentos são doenças sistêmicas que infectam os tecidos do floema das plantas de milho.

Por isso, temos a interferência no crescimento e desenvolvimento das plantas, reduzindo a absorção de nutrientes e afetando os processos de translocação de fotoassimilados, para o enchimento dos grãos e formação de espigas.

Isso favorece a infecção das plantas por fungos que causam podridão de colmo, causando o acamamento e comprometendo a produtividade da cultura.

cigarrinha-do-milho-controle

Sintomas relacionados ao complexo de enfezamentos em regiões de alta altitude. Sintoma de enfezamento de milho (a); enfezamento vermelho (b) e (c); espiga não desenvolvida de milho (d); borda amarela do milho (e); linhas amarelas de milho (f); espiga sintomática de milho (g); inflorescência atrofiada por milho (h); listras vermelhas de milho (i); broto atrofiado de milho (j); folhas pequenas de milho (k); folha assintomática do milho (l).
Fonte Pérez-López et al.

Entenda mais sobre a cigarrinha do milho

Um dos pontos cruciais para não ser prejudicado por uma praga é entender mais sobre ela e, dessa maneira, conseguir fazer manejos mais efetivos.

Em 27 dias a cigarrinha do milho completa seu ciclo biológico, podendo ter de 5 a 6 geração por ano, dependendo da temperatura. Portanto, em anos e períodos mais quentes podemos ter maiores infestações.

As cigarrinhas-do-milho são pequenas, variando de amarelo palha a branco e costumam se abrigar nas folhas do milho.

O grande potencial de migração entre lavouras é principalmente dificultador de seu controle, especialmente no Brasil em que temos duas safras.

cigarrinha-do-milho-controle-1

Fonte: Naturalhistory Museum Wales

Estratégias para não ser prejudicado pela cigarrinha do milho

O plantio precoce e a manutenção de um período sem milho durante os meses de entressafra são estratégias importantes para evitar danos causados ​​pela cigarrinha.

É importante também manter sua área livre de outras plantas que a praga também pode sobreviver, como sorgo, milheto e braquiária.

Ao favorecer a intensa “ponte verde” entre as lavouras e a transmissão da praga, irá ocorrer o aumento da incidência de enfezamentos a cada safra.

Outra questão é que as infestações por cigarrinhas e doenças do milho se tornam mais graves à medida que a estação de crescimento avança.

Por isso, plantar o mais cedo possível pode ajudar a diminuir a taxa de infestação de ambos, no entanto, é importante estar ciente que isso não eliminará o problema.

Além disso, sempre que falamos em pragas lembramos do Manejo Integrado de Pragas que considera o Nível de Controle (NC) de cada espécie em cada cultura para não causar dano econômico.

A cigarrinha-do-milho é uma exceção. Os limiares dos níveis de dano econômico não foram estabelecidos isso porque, ao lidar com um vetor de doença, os valores limiares seriam extremamente baixos.

Um único vetor infectado pode inocular muitas plantas durante sua vida útil. Além disso, as reinfestações ocorrem rapidamente, principalmente quando outros campos de milho na área estão sendo colhidos e as cigarrinhas estão procurando outras plantas de milho.

Outra boa estratégia é escolher um híbrido com alta tolerância aos molicutes (que resultam nas doenças de enfezamento) caso haja notícias de infestação de cigarrinha na sua região.

Essa é uma opção que anos atrás não poderia ser feita, mas que hoje é possível graças ao desenvolvimento genético de novos híbridos de milho com essas características de tolerância ao complexo de enfezamentos.

Também não vamos esquecer do tratamento de sementes com neonicotinoides e pulverizações com produtos específicos para o seu controle.

Dessa maneira, fica claro que a melhor estratégia para combater a cigarrinha é uma ampla gama de ações, como as que aqui citamos, para evitar que esse vetor chegue à sua lavoura ou que ela consiga tolerar a praga.

cigarrinha-do-milho-1
À esquerda, planta de milho sadia; à direita planta de milho com enfezamento.
Fonte: Fundação MT com fotos de Elizabeth de Oliveira Sabato

Para não esquecer: medidas cruciais de manejo da cigarrinha-do-milho

Provavelmente já comentamos sobre a maioria delas ao longo do texto, mas vale relembrar e reforçar alguns pontos importantes como mensagem final:

  • Identificação da praga é muito importante, já que o nível de infestação é diretamente ligado ao nível potencial de dano na lavoura;
  • Conheça o risco potencial, ou seja, como foi a infestação da sua área na safra passada e se há presença de outras fontes de vetor, como em áreas vizinhas;
  • Medidas preventivas sempre são bem-vindas: evite o plantio quando o estágio crítico da cultura coincide com o pico populacional da praga (plantio tardios, normalmente);
  • Conheça o nível de resistência dos seus híbridos;
  • Mantenha o monitoramento da cigarrinha durante toda a safra do milho

 

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Bruno Paniago

Graduação em Agronomia pela Universidade Anhanguera-Uniderp (2009), especialização em Produção e Processamento de cana-de-açúcar pela Universidade Anhanguera-Uniderp (2010), mestrado em Biotecnologia: aplicada a agropecuária, pela Universidade Católica Dom Bosco - UCDB (2013). Experiência em Agronomia / Processamento de cana-de-açúcar / Genética Vegetal (Brachiaria sp.) / Biologia Molecular; Doutorado em Biotecnologia Vegetal, pela Universidade Federal de Lavras - UFLA, MG. Formação Pedagógica em Ciências Biológicas pela FIAR (2019). Atualmente é Consultor na Agrointeli atuando como Customer Success (CS) oferecendo aos produtores rurais novas experiências com a agricultura digital.
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