Imagine conseguir obter uma visão ampla de toda sua fazenda, talhão por talhão, que permita, em segundos, identificar aquelas áreas que apresentam menor produtividade ou cuja produtividade é superior. Mas e se dissermos que tudo isso já é possível graças às tecnologias das imagens de satélite na agricultura?

O que era apenas uma tendência e com realidade ainda distante do trabalhador rural, agora é um grande aliado, principalmente em razão dos avanços tecnológicos e da redução significativa dos custos.

Hoje em dia, o uso de imagens de satélite na agricultura é cada vez mais viável e permite que muitos benefícios sejam alcançados.

satélite na agricultura

fonte: comprerural

Mas você sabe como estas imagens têm auxiliado os agricultores a ponto de eles conseguirem melhor produtividade da sua atividade rural?

Pensando nessas dúvidas, fizemos este texto. Nele você verá o que são e quais são os principais benefícios das imagens de satélite na agricultura. Confira!

Imagem de satélite: O que é e como obter?

Na agricultura moderna, o uso da tecnologia para produzir e armazenar dados para tomada de decisão e ações em campo faz parte do agronegócio nos dias atuais.

E, dentre todas as tecnologias adotadas, o uso de imagens de satélite são amplamente utilizadas no campo, tanto em grandes propriedades, quanto em propriedades de médio e pequeno porte, sendo de grande valia para que todos alcancem a máxima produtividade.

As imagens de satélite na agricultura partem do princípio da importância do monitoramento da lavoura que todo agricultor deve ter, pois isso irá ajudá-lo a conhecer cada detalhe da propriedade para que consiga antecipar problemas, prevenir despesas e garantir melhores resultados na hora da colheita.

De forma bastante resumida, as imagens de satélite são obtidas a partir de sensores fixados em satélites que orbitam o planeta. As imagens são registros de cenas focalizadas por sensores com resposta em frequência perfeitamente definidas do espectro.

No entanto, os sensores não conseguem captar todo o espectro, registrando apenas faixas de frequência. Analogamente, o olho humano capta uma faixa muito estreita do espectro.

Assim, são adotadas várias técnicas que codificam as frequências do espectro não-visível de modo a tornar possível a visualização de uma imagem.

Dois tipos de sensores podem ser utilizados na obtenção de uma imagem:

  • Ativos – transmitem pulsos de energia e medem a energia refletida desses pulsos pelos objetos (satélites com sensores SAR, por exemplo);
  • Passivos – medem radiações refletidas ou emitidas pelos objetos (satélites com sensores multi-espectrais).

A apresentação do professor Henrique Felipetto é bastante interessante nesse sentido.  Na sua apresentação o professor indica as principais aplicações do geoprocessamento e como essa tecnologia contribui com a agricultura. Vale conferir:

Possibilidades para uso das imagens de satélite na agricultura

Dentre algumas das possibilidades das imagens de satélite, há dois índices bastante comuns que auxiliam o produtor nesse sensoriamento remoto.

A primeira possibilidade é o NDVI (Índice de Vegetação por Diferença Normalizada), sendo esse um dos índices mais utilizados na agricultura.

(Fonte: engesat )

Ele possibilita fazer diferentes tipos de análises, nas mais diversas escalas, de uma determinada região ou lavoura. Também permite observar cada talhão (porção do terreno separada ao plantio de determinada cultura) ou grandes extensões territoriais.

Este índice é uma excelente maneira de mapear as áreas agrícolas que medem a energia luminosa que a planta absorve ou emite.

Há também o NDRE (índice de vegetação por diferença normalizada). Esse índice mede a atividade da clorofila presente nas folhas, fazendo uma relação entre dois comprimentos de onda diretamente ligados ao teor de clorofila das plantas e a biomassa das plantas.

A principal diferença entre os dois índices está na sensibilidade entre eles para indicar o vigor da vegetação.

Na prática, o NDVI não tem a capacidade de indicar diferenças em algumas culturas de acordo com os estágios fenológicos.  Assim, caso tenha em sua lavoura a cultura do milho a partir do estádio V6 ou cana-de-açúcar, vale optar pelo NDRE.

Vantagens (e desvantagens) do uso de imagens de satélite na agricultura

Assim como muitas tecnologias adotadas na agricultura, as imagens de satélite trazem vantagens competitivas ao produtor, mas trazem também algumas desvantagens.

Entre as principais vantagens podemos citar:

  • Acompanhamento periódico da lavoura;
  • Maior coleta de informações que auxiliam na tomada de decisão sobre o manejo;
  • Identificação de problemas comuns na lavoura;
  • Facilidade em monitorar áreas que sejam muito grandes;

No entanto, algumas são as limitações naturais e tecnológicas que comprometem a eficiência do uso de imagens de satélites na agricultura:

A primeira dessas limitações são as condições climáticas. Em dias nublados ou chuvosos o resultado das imagens não será satisfatório. Além disso, a periodicidade de atualização do satélite costuma ser alta, não permitindo um acompanhamento dos dados em um curto período de tempo.

Outras limitações do uso das imagens de satélite na agricultura são:

  • Precisão geográfica pode apresentar erros por metros;
  • Baixa resolução. Esse fato impede análises visuais mais detalhadas sobre determinada área;
  • Pouca autonomia em relação à obtenção das imagens por parte do produtor.

Por que utilizar imagens de satélite na agricultura?

Se você precisa estimar a saúde de determinada cobertura vegetal, a biomassa ou a produção primária da sua cultura, de uma maneira muito mais rápida e eficiente, a imagem de satélite é uma excelente ferramenta para se medir essas e muitas outras variáveis.

Dessa forma, muitos são os motivos para usar imagens de satélite na agricultura:

1.      Melhor análise em vários momentos do manejo da lavoura

É o uso mais conhecido das imagens de satélite na agricultura. As imagens servem para analisar a lavoura para detectar pragas e doenças, falhas de plantio, excesso de irrigação, entre outros.

Seja com alta ou média resolução, as imagens de satélites permitem que o gestor consiga estudar exaustivamente as condições de implantação e manejo da agricultura, assim como seu impacto no meio ambiente e os fatores agronômicos que permitem aprimorar os seus resultados.

2.      Permite maiores ganhos quanto à produtividade agrícola

O conhecimento dos aspectos geográficos via imagens de satélite ajudam o agricultor a obter ganhos importantes de produtividade na agricultura. Parâmetros físicos, tais como índice de vegetação, declividade, recursos hídricos, logísticos e sanidade biológica podem ser obtidos a partir de serviços como NDVI.

3.      Maior capacidade de monitoramento de desmatamentos

As imagens de satélite sobrevoam uma visão ampla de lugares distantes e de difíceis acessos. Logo, é possível ir a lugares onde estejam ocorrendo desmatamentos e, com localização mais precisa, combatê-los.

4.      Identificar falhas e deficiências nutricionais na lavoura

Na agricultura, o uso da imagem de satélite permite que tenhamos uma visão ampla e detalhada da lavoura no âmbito da vegetação, permitindo a análise das falhas de plantio, análise da produção de fotossíntese e produtividade das culturas.

Estes índices permitem ainda uma análise completa da superfície do solo, assim como das erosões e presença de nematóides.

Com isso, há a possibilidade de, com o auxílio de sistemas associados ao NDVI, detectar somente as plantas invasoras pela diferença de refletância, permitindo alta eficiência de pulverização, sem desperdício de agroquímicos com deriva ou por escorrimento.

 

Assim, como podemos constatar, muitos são os benefícios do uso das imagens de satélite na agricultura. Mas o benefício mais importante é ajudar no desenvolvimento de medidas que minimizem problemas na lavoura ou elimine-os completamente.

Portanto, mesmo com algumas desvantagens, estas imagens ajudam o produtor a entender o que, de fato, acontece com a sua lavoura, permitindo que ele faça correções e conquiste a máxima produtividade.

 

Para transformar dados de satélite em informações inteligentes, conheça a plataforma Agrointeli e saiba mais!

 

Renato Borges

Filho e neto de produtor rural e sempre com a cabeça em tecnologia. Engenheiro de formação, criou a Agrointeli com intuito de democratizar a tecnologia no campo para pequeno e médio produtor rural.
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Resumo Técnico fornecido por Investing.com Brasil.

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