O plantio de uma lavoura de soja requer planejamento, pois é neste momento que é determinado o início de um ciclo produtivo que pode variar de 120 a 140 dias.

Portanto, alguns fatores como temperatura e umidade do solo, correção do solo, época de semeadura, distribuição e profundidade das sementes, adubação, densidade de plantas por hectare e o monitoramento são essenciais para garantir uma excelente produtividade.

rendimentos de grãos

SEJA PROATIVO E ESPERE QUE O TEMPO COOPERE

Isso porque muito do rendimento da soja é baseado em condições ambientais.

Os altos rendimentos da soja obtidos por muitos agricultores são resultados de muito esforço e investimento em tecnologias como sementes, produtos químicos e tecnologias inteligentes de precisão que auxilia o produtor rural na tomada de decisões.

ESTRATÉGIAS:

1.pH É CRÍTICO

Não deixe os solos ficarem ácidos. O pH do solo é um fator importante para a soja.

O pH é uma medida direta da acidez do solo e consiste na concentração (atividade) de íons hidrogênio na solução do solo.

O pH ideal para garantir a disponibilidade e absorção de nutrientes pelas raízes é entre 5,8 a 6,2.

Solos ácidos ou muito alcalinos (pH > 7) terão baixa liberação de nutrientes.

Outro problema encontrado nas áreas com solos ácidos é a ocorrência de morte das bactérias da família Rhizobiaceae responsáveis pela nodulação das raízes que realizam a fixação biológica de nitrogênio (FBN) nas raízes.

Portanto, manter o pH do solo equilibrado, próximo a neutro, resulta em rendimentos de soja mais consistentes.

A partir da análise do solo, é possível calcular a quantidade de corretivo (calcário) necessário e determinar o tipo de calcário que deverá ser aplicado.

 

2. GERENCIAR SOLOS ALCALINOS

Em solos alcalinos podem ocorrer deficiências de micronutrientes, o que pode ter um efeito crítico no rendimento.

Em alguns solos com altas concentrações de cálcio resultando em alto pH, pode ser melhor não utilizar a soja na rotação.

Ou, se você decidir plantar soja, encontre uma variedade que possa lidar com essa situação.

No Brasil, a maior parte dos solos das regiões produtoras de grãos tende a acidez.

 

3. EQUILIBRAR A FERTILIDADE

O potássio desempenha um papel importante no rendimento da soja porque está envolvido no manejo da água e na prevenção de doenças.

Devido a sua carga e ao raio iônico, o potássio é um elemento bastante móvel no solo, com alto risco de lixiviação e perda por escorrimento superficial em solos de Baixa ou Média Capacidade de Troca de Cátions (CTC).

Utilizar como adubação de cobertura, principalmente após a aplicação de herbicidas é uma alternativa para impulsionar o crescimento das plantas e garantir que será exportado para os grãos.

Fique de olho nos níveis de magnésio, especialmente se um campo estiver com alto teor de fósforo – por exemplo.

Se os níveis de magnésio do solo são baixos, tendemos a ver a deficiência de magnésio nas plantas de soja.

Você pode corrigir o solo aplicando calcário dolomítico para resolver o problema.

 

4. O NITROGÊNIO É DISPENSÁVEL

Pense cuidadosamente antes de aplicar fertilizante de nitrogênio à soja.

A aplicação de nitrogênio pode fazer com que a soja pareça boa, porque geralmente não produz seu próprio nitrogênio até o estádio V2 ou V3, mas geralmente tem pouco efeito sobre o rendimento e, às vezes, diminui.

Normalmente, ter excesso de nitrogênio disponível torna a soja preguiçosa em nodular e produzir seu próprio nitrogênio.

Você precisa ter atenção com a adubação de fósforo para o alongamento e crescimento celular e precisa de potássio para resistência a doenças.

Rendimento de Grãos na Soja

 

5. ADUBAÇÃO FOLIAR

Para certos solos que são deficientes em manganês, a adubação foliar pode prevenir deficiências em plantas de soja.

Atualmente, os agricultores incluíram a adubação foliar na cultura da soja, utilizando produtos de alta qualidade nas rotinas de aplicação (pulverização).

Sendo mais uma alternativa para aumentar o rendimento, pois os resultados são satisfatórios.

 

 

6. PROFUNDIDADE DAS SEMENTES

A profundidade ideal para efetuar o plantio é de 3 a 5 cm, tendo cuidado para posição semente e adubo, o qual deve ficar abaixo da semente, evitando o contato direto, pois a salinização do fertilizante prejudica a germinação e emergência das plântulas de soja.

A regulagem da sua plantadora deve ser realizada para fazer um bom trabalho porque provavelmente você obterá uma população de plantas mais uniforme, o que é importante para produzir bem.

Se você tiver que plantar em condições difíceis (solos úmidos, alta quantidade de palhada) e conseguir uma posição menos que ideal para a distribuição das sementes, não desista da plantação – a soja tem uma capacidade notável de compensar e você poderá regular a plantadora com maior número de plantas por metro, contabilizando as perdas.

 

7. FUNGICIDAS

Conheça o tipo e a quantidade de pressão da doença que você enfrenta em cada campo. Se um campo tem uma história de patógenos, como Phytophthora e Pythium, trate a semente com um fungicida antes do plantio.

 

8. INOCULE AS SEMENTES

Inocule as sementes com bactérias Rhizobium e pensando na safra do milho pode-se utilizar inoculantes com bactérias Azospirillum brasilense. A inoculação garante a fixação de nitrogênio melhorando o desenvolvimento das plantas e consequentemente o aumento do rendimento.

 

9. FIQUE À FRENTE DAS PRAGAS

Como o manejo de pragas é uma parte tão importante do alto rendimento da soja, monitore a sua lavoura e consulte um profissional para realizar avaliações.

Você ou o responsável técnico deve conhecer os estágios críticos do desenvolvimento da soja e da praga e os limites econômicos para o tratamento. Fique por dentro das doenças e administre-as com aplicação de fungicida, rotação e variedades.

Insetos como a falsa-medideira, a helicoverpa e o percevejo são apenas alguns exemplos dos problemas que limitam a produtividade.

A principal recomendação para o controle é realizar o Manejo Integrado de Pragas (MIP).

Esse manejo preconiza o monitoramento por meio de técnicas como a do pano de batida, com o objetivo de identificar corretamente a praga e a infestação na lavoura.

Além disso, o MIP permite utilizar um mix de produtos que engloba químicos e biológicos, com o intuito de aplicar o produto mais adequado e no momento certo.

 

10. NEMATÓIDES

Os nematóides de cisto de soja são a maior praga com a qual lidamos. Depois de tê-los, eles são quase impossíveis de eliminar.

A rotação de culturas usando gramíneas pode ajudar a minimizar as populações de nematóides.

Se você continuar deixando as populações de nematoides crescerem, sua produtividade será comprometida e você pode perde áreas de cultivo.

Nos plantios diretos, você pode ajudar a manter as populações sob controle aplicando um herbicida de extermínio no outono para controlar ervas daninhas perenes que servem como hospedeiros para nematóides.

 

 

 

11. RENDIMENTO DA ROTAÇÃO DE CULTURAS

A rotação de culturas quase sempre promove maiores rendimentos de soja.

É o fator de rendimento mais consistente de qualquer coisa que tenhamos estudado, em todos os tipos de solo.

 

12. CORRIGIR AS CAMADAS COMPACTADAS

A remoção de camadas compactadas utilizando implementos agrícolas como subsoladores pode ajudar no desenvolvimento das raízes da soja, e também ajudará o milho na segunda safra (safra de inverno).

 

13. MONITORAMENTO USANDO TECNOLOGIAS

A agricultura de precisão é uma ferramenta preciosa para implementar boas práticas no campo. A Agricultura de Precisão preconiza trabalhar com variabilidade.

Com isso, o produtor consegue uniformizar o manejo do solo.

Usando amostragem de solo, mapas de colheita, imagens de satélite, NDVI (em português: Índices de Vegetação da Diferença Normalizada) e condutividade elétrica, conseguimos identificar zonas de manejo, equilibrar os nutrientes dentro do solo e aumentar a produtividade.

 

14. NÃO DESPERDICE SEMENTES

Siga corretamente as recomendações agronômicas da variedade escolhida.

Como por exemplo, a população de sementes utilizada.

Observe as características físicas do solo da área de plantio e siga as recomendações de forma a obter o crescimento controlado e sem competição entre as plantas.

Há trabalhos indicando que populações mais baixas, 230 mil plantas/ha, proporcionaram o mesmo rendimento que populações mais elevadas, 380 mil plantas/ha, isto poderá induzir sua utilização para economizar no custo com sementes.

No entanto, isto poderá implicar em maiores gastos com herbicidas, para o controle de ervas daninhas que poderão apresentar maior infestação em função de maiores espaços existentes.

 

15. NÃO DEIXE O RENDIMENTO DE GRÃOS NO CAMPO

A colheita descuidada pode fazer com que o rendimento de grãos seja reduzido drasticamente.

Regulagens como por exemplo, o ajuste da velocidade da máquina colhedora, a folga côncava, a velocidade do cilindro, facas afiadas e a velocidade do ar da colheitadeira para as condições de cada campo reduz as perdas de grãos durante a colheita.

 

Aline Sandim

Doutorado em Agronomia (Pós-Graduação em Agricultura, Relações água/solo/planta), UNESP - Faculdade de Ciências Agronômicas, Botucatu - SP, conclusão em 2016. Mestrado em Agronomia (Pós-Graduação em Agricultura, Relações água/solo/planta), UNESP - Faculdade de Ciências Agronômicas, Botucatu - SP, conclusão em 2012. Graduação em Agronomia, Universidade Católica Dom Bosco, UCDB, conclusão em 2009.
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