Leitores do Agro, neste post contextualizamos e apontamos soluções para o principal desafio da sustentabilidade na agricultura em nossos tempos: produzir mais alimentos e matérias-primas a partir dos incrementos em produtividade, evitando a incorporação de novas áreas e seus impactos socioambientais decorrentes.

O DESAFIO

Existem três principais razões pelas quais a produtividade nas áreas em produção existentes deverá aumentar dramaticamente nos próximos 40 anos:

  • É improvável que a população mundial se estabilize neste século e, com a atual tendência, ela chegará em 12 bilhões de pessoas em 2.100 (Figura 1). Isso é praticamente o dobro da população atual e uma grande quantidade de novas pessoas para alimentar .

  • O crescimento econômico (Figura 2), a urbanização e a afluência de economias emergentes em desenvolvimento estão levando o planeta a uma “transição nutricional”, notadamente através de dietas ocidentais mais ricas em açúcar, gordura animal e proteína. Não se esqueçam que se exige 2,5 a 100 vezes mais recursos para produzir energia e proteína de fontes animais do que de grãos.

  • Há um escopo limitado para expandir significativamente as terras agrícolas depois que restrições e compensações são consideradas. A incorporação de novas áreas dentro do sistema produtivo envolve importantes restrições e altos custos sociais e ecológicos.

Então, como nós vamos conseguir lidar com esse desafio?

AUMENTO DE PRODUTIVIDADE

Existe uma lacuna entre as atuais produtividades agrícolas e o aumento possível na quantidade de alimento produzido por área que poderia ser alcançado caso as boas práticas de manejo agronômico fossem implementadas. O trabalho para reduzir essa diferença é chamado de “redução das lacunas de produtividade ou rendimento”. Sabemos que apenas o trabalho isolado (focado exclusivamente no parâmetro produtividade) para a redução das lacunas de produtividade provavelmente nos ajudará a atender quase metade do aumento da demanda por alimentos até 2050. Porém, a tendência é que preocupações adicionais com qualidade nutricional e custo ambiental ganhem espaço também.

O aumento da produtividade agrícola e do fornecimento de alimentos foram listados como ações práticas fundamentais pelos líderes do G20 quando se encontraram em Brisbane, em 2014. Apoiar a segurança alimentar e o crescimento econômico em países de baixa renda é uma maneira de gerar oportunidades de investimento e incrementar o comércio global. Por exemplo, o crescimento econômico na África foi planejado para alcançar 5,2% em 2014, a partir de maiores investimentos em recursos naturais e infraestrutura e, também, por conta do maior consumo das famílias.

Porém, o aumento de produtividade com o uso dos recursos solo e água não deve ocorrer às custas do meio ambiente ou das fontes de subsistência dos grupos humanos e animais e das próximas gerações. Embora ainda haja muita possibilidade de aumentar a produtividade de nossas culturas, as últimas décadas já assistiram a um crescimento vertiginoso dos rendimentos brasileiros (Figura 3).

Quem saber mais?

Achou interessante a discussão? Ela ainda não acabou! Na parte II, que postaremos em breve, discutiremos a importância de pensar a partir de uma outra perspectiva e como parcerias entre os setores público e privado podem aumentar ainda mais o rendimento de nossas culturas.

Renato Borges

Filho e neto de produtor rural e sempre com a cabeça em tecnologia. Eleito pela Forbes os jovens mais promissores do Brasil na próxima década. Eleito pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology) um dos jovens mais inovadores da américa latina. Engenheiro de formação, criou a Agrointeli com intuito de democratizar a tecnologia no campo para pequeno e médio produtor rural. Mais de 7 anos de experiência no agronegócio. Especialista em Vendas Agro B2B.
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Resumo Técnico fornecido por Investing.com Brasil.

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